Novos escritores, o reencontro com Amin e o niilismo
O cronista Jaime Ambrósio é um dos escritores que entrevisto para o programa deste sábado (o Educação e Cidadania da TVBV das 18:55h) na reportagem sobre o lançamento do livro O Novo Conto Catarina. O Jaime é colega nosso de redação da TVBV, é tímido e divertido(?) e diz a lenda não gosta de falar e assim mesmo, me deu uma ótima entrevista. Ele escreve crônicas no DC, aliás, a impressão que tive quarta-feira no hall da reitoria da Ufsc, é que todo mundo escreve crônicas no DC…mas ele, o Jaime, se realiza escrevendo contos, ficcionando, criando histórias. Parecia um guri. Estava radiante.
Adorei conversar com o poeta Dennis Radünz. Ele é tudo de bom, é de Blumenau, conviveu com Lindolf Bell, escreve muito bem, é engajado como professor, articulado como cronista, uma pessoinha de ouro. Adorei entrevistrar os “novos contistas”. Ludmila Bolda e seu sorriso aberto e suas dúvidas a cerca da traição. Vanessa Clasen, introspectiva e a paradoxal definição sobre ricos e pobres calcada no queijo Cottage. Fernando Petry, mestrando em literatura e a complexidade de escrever um conto sobre a loucura ao se descobrir louco. Essa é a riqueza da juventude, a sua busca pela redescoberta, pelo inédito.
De repente esbarro com o ex-governador e atual professor de Administração da UFSC Esperidião Amin, e digo brincando:- não sabia que o senhor gostava tanto de contos. Ao que ele me retrucou em tom jocoso:- pelo que sei a senhora escreve contos obcenos. E eu lhe respondo:- não professor, escrevo contos seríssimos (infelizmente ainda não publicados, penso eu…) e alguns poemas obcenos (eróticos e que estão no livro Poemas Infames). Deveria ter dito: não senador. Escrevi poesias eróticas, quem escreveu contos obcenos foi a Hilda Hilst. Pensei até em lhe mandar um e-mail, para protestar contra esse estigma, essa jocosidade. Mas daí teria de ligar para o assessor do assessor cujo telefone nem imagino onde esteja ou quem sabe para sua esposa, minha ex-amiga de Grupo Raulino Horn de Indaial, ou quem sabe ligar para o próprio celular de todos eles que possuo na agenda dos políticos…e estas pequenas, inúmeras alternativas me pareceram desrespeitosas, abusivas, intolerantes. O que lhe diria:- professor, ter escrito algumas poesias eróticas numa fase da vida me outorga o título de obcena para o resto da eternidade? Que nada, esquece, a vida segue, repenso sabiamente. O que não tem solução, solucionado está, não tem?
Agora a noite fiquei, estou muito triste e estupefacta porque ouvi da boca de um jovem que ele não colocava fim a vida, em consideração as pessoas que o amavam. E citou Nietzsche e seguidores…Deus do céu, como isso doeu, como está doendo. Como pesa a sensação de impossibilidade. De não poder fazer mais. De ficar sem argumentos. Triste país onde se matam crianças impunemente; onde os adolescentes tem como ídolos traficantes justiceiros em favelas, ameçam professores e humilham pais em casa. Droga de país em que o mercado de trabalho privilegia o apadrinhamento, o cabresto, a subserviência, o nepotismo em detrimento a seriedade e a ética. Triste país que amamos tanto que ignora jovens de talento, cultos e competentes prontos para o mercado de trabalho, que justamento os ignora por estas qualidades. É, Nietzsche tinha razão: Deus está morto ou sem crédito na praça.