O major Newton Ramlow do 4º BPM, fala do Educação e Cidadana

admin | Vídeos | Domingo, 31 de Agosto de 2008

Personagem polêmico no patrulhamento das ruas e morros de Florianópolis e postulante declarado a promoção para tenente-coronel, o major Newton Ramlow, surpreendeu na entrevista ao Educação e Cidadania e se mostrou muito consciente sobre o envolvimento cada vez maior de jovens na criminalidade e onde estão as origens do problema. Se revelou também um pai entusiasmado com os progressos do filho Leonardo, de 11 anos, premiado na Olimpíada da matemática em 2007.

Por outro lado e ainda bem, temos bons exemplos de jovens que apesar da origem humilde, se envolvem com o estudo e com o trabalho e vão assim determinando um caminho para suas vidas. O Senac Social de Santa Catarina em parceria com várias prefeituras e instituições, tem se mostrado presente no processo. Um exemplo disso é a reportagem que gravamos em Paulo Lopes. Para complementar, entrevista com a coordenadora educacional do Senac, Nara Dutra.

Meu cachorro Atahualpa

Maria Odete | Prosa & Poesia | Sexta, 29 de Agosto de 2008

Para Bartolomeu Moreira Monteiro

Urda e Atahualpa

Penso que, no mundo dos cachorros, Atahualpa às vezes aparece como um cachorro exibido, como algumas crianças que viajam para a Disney e depois ficam se pavoneando na escola, cheias de importância, diante de amiguinhos que talvez só foram ao Beto Carrero ou talvez nem lá foram.

É que o Atahualpa é um cachorro de apartamento, e no condomínio onde moro, que tem 64 apartamentos, deve ter pelo menos uns 40 cachorros (mais dois gatos e dois papagaios, quanto sei), e tirando um outro cachorro que anda até de moto, Atahualpa foge inteiramente ao modelo “cachorro de apartamento”. Desde o primeiro dia que chegou que eu o levo por todos os lados onde posso, deixo-o correr livre pela natureza, acampo com ele, deixo-o comer tudo o que um cachorro pode comer. Ouço horrorizadas expressões de gente moderna, que tem cachorros modernos, movidos à ração:

- Não se pode dar nada além de ração aos animaizinhos! Leite, nem pensar! Tu estás louca – leite lhes dá dor de barriga!– e então lembro dos cachorros da minha infância, que comiam arroz, feijão, salada e carne, como todo o mundo, e aipim com molho, ou pão com manteiga ou sem manteiga, ou fosse lá o que fosse, e viviam longas vidas de 15, 20 anos, o que é velhice extremada para um cachorro. E deixo Atahualpa comer de tudo (em uma das refeições do dia faço questão que ele coma ração, tipo complemento alimentar, assim como as mães fazem as crianças tomarem complexos vitamínicos), e ele começa o dia querendo bolo com leite, bem misturadinho, amassadinho, para não ter o trabalho de mastigar. Há que ser bolo, pois pão, para ele, exibido como é, nem pensar – se bem que noutro dia, num camping, apareceu um cachorro faminto que devorou quase todo o pão que eu tinha, e então, na coisa da competição, Atahualpa se tomou de amores pelo pão, e comeu pão seco com o maior apetite e a maior voracidade. Tirando tais exceções, no entanto, há que ser bolo, e virei uma formiga carregadeira a trazer bolos ingleses do supermercado, sendo que eu quase nunca como bolo e Atahualpa tenha definida preferência pelo bolo inglês, que num instantinho some da embalagem, diante do apetite dele.

Ele adora carne, claro, mas peixe, nem pensar. De peixe, a única coisa que gosta é de lagoas de peixe, onde há plantas aquáticas que ele ataca aos latidos, agarra-as com os dentes, acaba por mergulhar na água, e sabe como é, lagoas de peixe normalmente têm um certo cheiro característico, e depois de tais mergulhos, há que se levar Atahualpa para casa e botá-lo debaixo do chuveiro, outra coisa inconcebível para cachorros de apartamentos, que tomam banho em pet-shops sofisticados, são secados com secador e cortam as unhas com tesourinha. Só uma vez um veterinário se meteu à besta e andou cortando as unhas do meu cachorrinho – nunca mais tal ato se repetiu. As unhas de Atahualpa se gastam de tanto andar e correr, seja no cimento das calçadas, seja nos amplos espaços da Natureza, como na beleza desta pousada onde estou nesta sexta-feira-santa, com direito a lagoa de peixe, rio, matas e campinas de grama com muitas flores, e ontem à noite Atahualpa chegou de volta tão molhado e tão cheio de carrapichos, que um dos olhos dele nem abria, tantas foram as camada de carrapicho que foram se sobrepondo umas às outras na sua peluda cara de cachorro safado, e eu tive que ajudá-lo a livrar o olho e o resto do pêlo, e ele estava com tamanha fome que devorou um pote de ração sem o menor constrangimento, ele que faz todo o tipo de frescura para comer só bolo e carne.

Diria que Atahualpa é um cachorro feliz, enquanto o observo, neste momento, em correria e lutas com uma cachorra adulta daqui da pousada, um feixe de músculos a corcovear pela grama, ao lado da lagoa de peixes, coisa que não seria admitida pelos donos dos seus colegas ”de apartamento”. É por isto que digo que acho que ele deve se comportar muito exibidamente diante da sua turma, tipo aquelas crianças que viajam para a Disney e que depois se acham mais importantes que as outras nas salas de aula. Também, pudera! Quantos cachorrinhos tem a vida que ele tem?

Blumenau, 21 de Março de 2008
Urda Alice Klueger - Escritora

Vitrine de negócios, sustentabilidade na prática e oficina de pandeiro

admin | Vídeos | Sexta, 29 de Agosto de 2008

Em parceria com a Global Franchise e Rede Aliansce Shopping Centers, o “Vitrine de Negócios” foi um evento realizado pelo Floripa Shopping no mes de agosto, que ganhou destaque no Educação e Cidadania que assim discutiu o mercado das franquias em Florianópolis. Entrevista com Antônio Britto, superintendente do Floripa Shopping e com Eládio Toledo, executivo da Global Franchise, empresa pioneira na exportação de franquias brasileiras.

Destaque também no Educação e Cidadania do dia 23.08.08 para o projeto ambiental que o Colégio Catarinense está colocando em prática com professores, funcionários e alunos. Ou seja, colocar na prática o que se ensina exaustivamente em sala de aula. O projeto sistêmico é baseado nos 3 Rs (reduzir, reciclar e reutilizar). Num primeiro levantamento, observou-se o consumo de 230 mil copos de plástico/ano, que estão sendo substituídos gradativamente por canecas de porcelana.

Ainda nesse programa, destaque para a Escola de Música Rafael Bastos de Florianópolis, e para o professor e escritor de músicas para pandeiro, Luis Roberto Sampaio.

A diversidade sexual nas escolas públicas de SC, a campanha do Floripa shopping e Unimed e a estética vocal rocker

admin | Vídeos | Segunda, 25 de Agosto de 2008

Para o professor de técnica vocal aplicada ao rock, Ariel Coelho, cantar rock (que é inegavelmente uma cultura fortíssima e está presente entre os jovens) sem preparo, agrava mais ainda a relação “uso da voz x saúde vocal”. Na entrevista dada ao Educação e Cidadania do dia 16.08.08, Ariel foi acompanhado do vocalista Lucas Brentano.

Na entrevista com a antropóloga Miriam Pillar Grossi e com o coordenador do ensino religioso da rede pública de Santa Catarina, professor Élcio Ceccetti, questões sobre gênero e sexualidade e o Ensino Religioso, foram a tônica das questões. Afinal, quais são as representações dos nossos professores a respeito de iniciação sexual, relações de gênero, homossexualidade e travestilidades em escolas públicas de Santa Catarina?

O programa ainda mostra reportagem sobre a campanha que FloripaSchopping e Unimed de Florianópolis estão fazendo junto aos clientes e usuários sobre a ñecessidade da reciclagem do lixo tecnológico.

“Educação em Direitos Humanos. Discursos críticos e temas contemporâneos”

Maria Odete | Agenda de eventos | Domingo, 24 de Agosto de 2008

A Editora da UFSC está convidando para o lançamento do livro “Educação em Direitos Humanos. Discursos críticos e temas contemporâneo”, que será realizado no dia 11 de setembro às 19h na Assembléia Legislativa de Santa Catarina.

O livro lança um olhar crítico e avança na pesquisa sobre educação em direitos humanos, considerando o cenário histórico, as condições políticas, os desafios e os limites antropológicos do próprio debate, especialmente no Brasil contemporâneo.

O livro “Educação em Direitos Humanos. Discursos críticos e temas contemporâneos” (Editora da UFSC, 2008), é organizado pelos professoresTheophilos Rifiotis e Tiago Hydra Rogrigues.

No evento também será apresentado o projeto Educação em e para os Direitos Humanos em Santa Catarina 2008.

Gabriel o Pensador fala no Roda Pião da Palhoça/SC

admin | Vídeos | Terça, 19 de Agosto de 2008

Professor, bailarino e coreógrafo e produtor, Fabiano Silveira, acompanhado da parceira Geovana Valéria Lima de Oliveira, professora e coreógrafa de danças-de-salão, jazz, clássico e contemporâneo, se apresentaram no Educação e Cidadania do dia 09.08.08 quando divulgaram workshop do Stúdio de Dança.

A importância do aleitamento materno, foi o tema da entrevisda do pediatra Dr. Cecim El Ackar que lançou recentemente o livro da Mamãe “Da Gravidez à Amamaentação”.

Destaque também no Educação e Cidadania, a presença do rapper Gabriel o Pensador, no Centro Educacional Roda Pião da Palhoça/SC. Gabriel falou de poesia e comunicação para mais de 200 adolescentes. Para Maria Odete, Gabriel refletiu sobre o que espera para seus dois filhos e as novas gerações que estão surgindo e o que também aprende com eles. Aos 34 anos, Gabriel, se mostrou como todo pai, que sonha o melhor para seus filhos. Mas foi engraçado e rindo ele voltou a ser um garotão que canta letras de protesto, num Brasil cada vez mais aquiescente.

Lá se vai o poeta do mar - Boa viagem Caymmi!

Maria Odete | Prosa & Poesia | Domingo, 17 de Agosto de 2008

Um poema e uma linda canção - O Bem do Mar

Um pescador tem dois amor
Um bem na terra, um bem no mar

O bem de terra é aquela que fica
Na beira da praia quando a gente sai

O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai

O bem do mar é o mar, é o mar
Que carrega com a gente
Pra gente pescar

Segundo Danielle Simões, para o JB Online, o enterro do cantor e compositor Dorival Caymmi, no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio, aconteceu em sintonia com a personalidade do mestre que se despedia: tranqüilo, suave, cheio de emoção e serenidade. O cortejo reuniu pouco mais de cem pessoas, entre fãs, artistas, e toda a família Caymmi.

Para Nei Duclós, Dorival Caymmi não canta a praia ou o mar, canta a pesca, atividade do trabalhador que arrisca a vida todos os dias no desempenho do ofício. Sua obra é um épico sobre a morte dos que lutam para sobreviver num ambiente hostil, o oceano, que atrai pela necessidade e seduz para uma armadilha mortal quando acena para o lazer em pleno expediente. O bem que o pescador tem no mar é a ilusão de que pode abandonar o trabalho enquanto navega e entregar-se ao que lhe é vedado, o prazer.

Na entrevista que concedeu à jornalista e autora de ‘Dorival Caymmi - O Mar e o Tempo’ (Editora 34), ao completar 90 anos, Caymmi nos transmite a sua receita de vida. “O sentido da vida é uma beleza que Deus criou: viver é lutar, mas também viver é viver; viver é aproveitar o que Deus manda. Deus nos dá diariamente e repete para que você não esqueça: o sol amanhece, o sol se põe, a lua faz essa viagem em torno da Terra. Essa beleza da vida natural é o grande privilégio que o homem tem. E a contemplação, sem deixar de funcionar e fazer funcionar suas sabedorias, seus conhecimentos para ajudar a si e ao seu próximo.”

O que são mesmo os Direitos Humanos?

Maria Odete | Opinião | Sábado, 16 de Agosto de 2008

por Maria Odete Olsen

Leviathan

Bem, acabamos de vivenciar na noite da última sexta-feira e durante todo o sábado, nosso segundo módulo da pós-graduação sobre os Direitos Humanos/ sob o título “Seminário de Formação Profissional e Cidadania”.

A aula inaugural foi ministrada pelo Mestre e Doutor em Teoria e Filosofia do Direito (UFSC), pesquisador e professor universitário, Marcus Fabiano Gonçalves, ao que parece, vivendo atualmente em Paris e que nos informou em primeira mão da entrevista que realizou esta semana com um xeique árabe numa mesquita em plena rua Felipe Schmidt de Florianópolis. Você sabia dessa? Fiquei literalmente “abestalhada” com a minha ignorância sobre o cosmopolitismo da ilha da Magia, aqui no Atlântico Sul e que a cada dia atrai mais e mais pessoas e agora pelo visto, até xeiques árabes.

Fabiano falou sobre Antropologia dos Direitos Humanos, sobre a visão normativa que a maioria da sociedade tem desses direitos, nos desafiando constantemente com questões tipo: o que são mesmo direitos? Como pensar o fenômeno jurídico?

Iniciou falando sobre a idéia da dignidade da Pessoa Humana e lançou uma provocação “quem entende o Ratinho, entende o Brasil”, indo mais além, os sociólogos e filósofos não deveriam temer em chafurdar nesse lamaçal…imagino que midiático.

Lembrou da genealogia religiosa desses direitos, nos remetendo as teses metaconceptuais dos padres e seus conceitos sobre a pessoa divina e a tríade (pai, filho e espírito santo), em contraposição a noção de indivíduo e o entendimento dos filósofos gregos e os conceitos criados a partir de hypostase e prosopon. Assim entramos no universo da Ética e da Cidadania, tudo criado lá nos primórdios do século do ouro, ali por volta de V a.C.

É um debate fascinante, que envolve o conceito de pessoa que posteriormente será dinamizado pelas concepções de idéias modernas dos direitos humanos. Fabiano continua nos provocando, não só na revisão de conhecimentos, de cultura geral jurídica, filosófica e social, ao lembrar dos nossos mais remotos preconceitos: “quando o homem ocidental tenta enfiar goela abaixo para árabes e chineses a questão de direitos humanos, eles rechaçam porque não tem nada a ver com eles” e mais, qualquer coisa tipo “dar bolsa de estudos a índios (da Amazônia?) é garantir Direitos Humanos?”… O que são realmente os direitos humanos?

Daí nos lembra da existência do sociólogo alemão Norbert Elias e da Sociedade dos Indivíduos. É, já o havia esquecido.

Nos deu o prazer de folhear o Alcorão, livro do qual ouvi falar lá nos primórdios da minha adolescência lendo o escritor alemão Karl May em suas andanças imaginárias por desertos e savanas. Como é indecifrável e lindo o Alcorão. Passamos pelo I Ching, o Livro das Mutações, criado a cerca de 3.000 anos na China, e que impressionou Carl Jung que por sua vez nos lembrou que não podíamos ignorar grande mentes como Confúcio e Lao Tsé, que para ele “tinham mais valor do que os preconceitos filosóficos da Mente Ocidental”. E é óbvio que acabamos na individualidade do homem moderno, iniciada com o contrato social de Hobbes, o direito a propriedade de Locke e o mito do bom selvagem de Jean Jacques Rousseau.

Infelizmente perdi a palestra da professora Fernanda Lapa, coordenadora do Centro de Direitos Humanos do Cesusc e aprendi muito com a aula sobre Responsabilidade Social Corporativa, ministrada pela doutoranda Naira Tomiello.

Pois é…se você é daqueles que ainda pensa que Direitos Humanos é coisa melosa, de gentinha esperta que está aí só prá defender bandidinho de semáforo?
Meu amigo, minha amiga começe a estudar, urgentemente!

Palestra de Ingo Wolfgang Sarlet instala Pós em Direitos Humanos no Cesusc

admin | Entrevistas | Quinta, 7 de Agosto de 2008

Doutor em Direito pela Ludwig Maximillians Universität München (1997), o Juiz Ingo Wolfgang Sarlet é coordenador do programa de pós-graduação em Direito e professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É coordenador do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais. Realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Munique como bolsista e pesquisador do Instituto Max-Planck de Direito Social Estrangeiro e Internacional (Alemanha), bem como no Georgetown Law Center (EUA).

Dr. Ingo é, também, professor da Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul. Atua especialmente nas áreas de Direito Constitucional e Teoria dos Direitos Fundamentais, sendo suas principais linhas de pesquisa a eficácia e a efetividade dos Direitos Fundamentais no Direito Público e Privado.

Ele falou especialmente a jornalista Maria Odete sobre justiça e impunidade. O jurista discorda quando se diz que a justiça brasileira é mais justa com os ricos brasileiros.

A entrevista estará no programa Educação e Cidadania deste sábado 09.08.08 na TVBV às 18:55h, que também terá como destaque Gabriel O Pensador.

Não é o que parece

admin | Crônicas de Olsen Jr. | Quinta, 7 de Agosto de 2008

por Olsen Jr.

Estaria a musa no barco viking??????

Tarde de agosto na Ilha. Tempo nebuloso e uma garoa fina dardeja o ar. As partes verdes na Lagoa da Conceição ao longe lembram os fiordes da Noruega. Observo a paisagem com um sentimento nórdico, solitário, imaginando que ela – a musa – bem que poderia estar ali comigo naquela hora, mas foi um desvario repentino, logo penso ver um barco viking quebrando a monotonia daquelas águas plácidas e o meu sentimento de compartilhar aqueles momentos é interrompido pelo toque do telefone. Detenho-me um pouco mais e fixo aquele quadro…
Atendo:
― O senhor é o “seu” fulano?
― Sou!
― O senhor mora com mais pessoas?
― Moro com os meus fantasmas… E, aliás, “eles” estão em cada vez maior número.
― O senhor trabalha em rádio?
― Não, sou um escritor…
― Desculpe, é que com essa voz, pensei que o senhor fosse locutor de alguma rádio.
― Sem problemas, essa é uma linguagem nossa.
― O senhor é casado?
― Divorciado!
― Ah! O senhor tem faxineira?
― Não, aqui em casa faço a faxina da casa, a barra das calças, prego botão nas camisas, lavo e passo roupas, faço a minha comida, enfim, saí de casa com nove anos, e nada disso me é estranho… Claro que pensei em Marx, mas era outra história…
― O senhor costuma comer em restaurantes?
― Bem, argumento, dependendo do que se considerar como “alimento” como em qualquer lugar, em cima da mesa, no banco do carro, no banheiro do avião, na cozinha do restaurante…
― Como senhor?
― O que eu quero dizer é que quando se está faminto não se enjeita alimentos e nem lugar para degustá-los.
― Ah! Sim, claro… Risos…
― O senhor come carne diariamente?
― Agora não, mas já comi… Por questões de saúde, só peixe… Mas nos finais de semana não abro mão do bom e velho churrasco de guerra…
― E o senhor bebe?
― Bem, com churrasco não dá pra tomar suco de laranja ou água mineral, dá?
― Não, não… Claro que não…
― Tomo minha cervejinha, de preferência aquela de Blumenau, a Eisenbahn…
― Ah! Tudo bem, e o senhor costuma comer saladas nas refeições?
― Sim, pelo que já falei antes, saladas verdes, de preferência e frutas vermelhas…
― Quantas vezes por semana?
― Todos os dias.
― Se fossemos considerar o seu estado de saúde atual, como o senhor classificaria, ótimo, bom, regular ou…
― Diria que “inspira cuidados”…
― O senhor vai ao médico regularmente?
― Uma vez por ano, mas aprendi a controlar a minha alimentação, o colesterol, os triglicerídeos, a pressão, etc.
― Ah! Bom, e como é o tratamento na área de saúde em sua cidade?
― Bom, a pior coisa que pode acontecer para alguém que mora aqui na Ilha seria ficar doente e não ter um plano de saúde…
― O senhor tem um plano de saúde?
― Não! Calma, sou uma pessoa inteligente, culta, tenho os meus métodos…
― Bem, muito obrigado pela entrevista, agora vou passar para minha superiora que vai fazer mais três perguntas para uma avaliação dessa conversa…
A outra mulher me faz três perguntas que já haviam sido feitas e dou as mesmas respostas, indagou, inclusive, se trabalhava em rádio (porque com esta voz, deveria) e se apresentou como alguém ligada ao Ministério da Saúde…
Educadas e eficientes, penso, mas será que irão falar com todo o mundo?
… Volto para a minha varanda, a placidez daquelas águas na Lagoa da Conceição me arrebata, vejo – de fato – um barco viking singrando as águas, se aproximando da margem, em minha direção… E ela, a musa, como uma Valquíria, emerge tornando longínquos os fiordes, agora, foi quando dei por mim, só, lembrando da pergunta da mulher no telefone: “sobre o meu estado de saúde?”…
Huumm! Inspira cuidados. Acho!

* Olsen Jr. escreve às sextas-feiras no jornal AN, caderno Anexo, p. B3.

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