Palestra de Ingo Wolfgang Sarlet instala Pós em Direitos Humanos no Cesusc

admin | Entrevistas | Quinta, 7 de Agosto de 2008

Doutor em Direito pela Ludwig Maximillians Universität München (1997), o Juiz Ingo Wolfgang Sarlet é coordenador do programa de pós-graduação em Direito e professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É coordenador do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais. Realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Munique como bolsista e pesquisador do Instituto Max-Planck de Direito Social Estrangeiro e Internacional (Alemanha), bem como no Georgetown Law Center (EUA).

Dr. Ingo é, também, professor da Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul. Atua especialmente nas áreas de Direito Constitucional e Teoria dos Direitos Fundamentais, sendo suas principais linhas de pesquisa a eficácia e a efetividade dos Direitos Fundamentais no Direito Público e Privado.

Ele falou especialmente a jornalista Maria Odete sobre justiça e impunidade. O jurista discorda quando se diz que a justiça brasileira é mais justa com os ricos brasileiros.

A entrevista estará no programa Educação e Cidadania deste sábado 09.08.08 na TVBV às 18:55h, que também terá como destaque Gabriel O Pensador.

Não é o que parece

admin | Crônicas de Olsen Jr. | Quinta, 7 de Agosto de 2008

por Olsen Jr.

Estaria a musa no barco viking??????

Tarde de agosto na Ilha. Tempo nebuloso e uma garoa fina dardeja o ar. As partes verdes na Lagoa da Conceição ao longe lembram os fiordes da Noruega. Observo a paisagem com um sentimento nórdico, solitário, imaginando que ela – a musa – bem que poderia estar ali comigo naquela hora, mas foi um desvario repentino, logo penso ver um barco viking quebrando a monotonia daquelas águas plácidas e o meu sentimento de compartilhar aqueles momentos é interrompido pelo toque do telefone. Detenho-me um pouco mais e fixo aquele quadro…
Atendo:
― O senhor é o “seu” fulano?
― Sou!
― O senhor mora com mais pessoas?
― Moro com os meus fantasmas… E, aliás, “eles” estão em cada vez maior número.
― O senhor trabalha em rádio?
― Não, sou um escritor…
― Desculpe, é que com essa voz, pensei que o senhor fosse locutor de alguma rádio.
― Sem problemas, essa é uma linguagem nossa.
― O senhor é casado?
― Divorciado!
― Ah! O senhor tem faxineira?
― Não, aqui em casa faço a faxina da casa, a barra das calças, prego botão nas camisas, lavo e passo roupas, faço a minha comida, enfim, saí de casa com nove anos, e nada disso me é estranho… Claro que pensei em Marx, mas era outra história…
― O senhor costuma comer em restaurantes?
― Bem, argumento, dependendo do que se considerar como “alimento” como em qualquer lugar, em cima da mesa, no banco do carro, no banheiro do avião, na cozinha do restaurante…
― Como senhor?
― O que eu quero dizer é que quando se está faminto não se enjeita alimentos e nem lugar para degustá-los.
― Ah! Sim, claro… Risos…
― O senhor come carne diariamente?
― Agora não, mas já comi… Por questões de saúde, só peixe… Mas nos finais de semana não abro mão do bom e velho churrasco de guerra…
― E o senhor bebe?
― Bem, com churrasco não dá pra tomar suco de laranja ou água mineral, dá?
― Não, não… Claro que não…
― Tomo minha cervejinha, de preferência aquela de Blumenau, a Eisenbahn…
― Ah! Tudo bem, e o senhor costuma comer saladas nas refeições?
― Sim, pelo que já falei antes, saladas verdes, de preferência e frutas vermelhas…
― Quantas vezes por semana?
― Todos os dias.
― Se fossemos considerar o seu estado de saúde atual, como o senhor classificaria, ótimo, bom, regular ou…
― Diria que “inspira cuidados”…
― O senhor vai ao médico regularmente?
― Uma vez por ano, mas aprendi a controlar a minha alimentação, o colesterol, os triglicerídeos, a pressão, etc.
― Ah! Bom, e como é o tratamento na área de saúde em sua cidade?
― Bom, a pior coisa que pode acontecer para alguém que mora aqui na Ilha seria ficar doente e não ter um plano de saúde…
― O senhor tem um plano de saúde?
― Não! Calma, sou uma pessoa inteligente, culta, tenho os meus métodos…
― Bem, muito obrigado pela entrevista, agora vou passar para minha superiora que vai fazer mais três perguntas para uma avaliação dessa conversa…
A outra mulher me faz três perguntas que já haviam sido feitas e dou as mesmas respostas, indagou, inclusive, se trabalhava em rádio (porque com esta voz, deveria) e se apresentou como alguém ligada ao Ministério da Saúde…
Educadas e eficientes, penso, mas será que irão falar com todo o mundo?
… Volto para a minha varanda, a placidez daquelas águas na Lagoa da Conceição me arrebata, vejo – de fato – um barco viking singrando as águas, se aproximando da margem, em minha direção… E ela, a musa, como uma Valquíria, emerge tornando longínquos os fiordes, agora, foi quando dei por mim, só, lembrando da pergunta da mulher no telefone: “sobre o meu estado de saúde?”…
Huumm! Inspira cuidados. Acho!

* Olsen Jr. escreve às sextas-feiras no jornal AN, caderno Anexo, p. B3.

Capoeira, esquizofrenia e o Varejo

admin | Vídeos | Terça, 5 de Agosto de 2008

Um rapaz de 23 anos do Rio de Janeiro, esquizofrênico, apareceu em Florianópolis. O que sabemos dessa doença, como ela age e afeta as pessoas e seus familiares. Com essa indagação, o repórter Guido Schuvartzman, buscou pelo Grupo Fênix que atua em várias regiões do Brasil e em Santa Catarina também.

Empregabilidade nas áreas de varejo e serviços. O Senac de Santa Catarina está iniciando na grande Florianópolis as ações do programa Varejo em Dia. E na próxima sexta-feira, vai lançar na cidade de Rio do Sul, alto Vale do Itajaí, mais uma de suas unidades. Temas da entrevista com o diretor Geral Rudney Raulino.

A capoeira tornou-se no dia 15 de julho, em Salvador, o mais novo patrimônio cultural brasileiro, conforme declarou o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Contra mestre Queixo e os instrutores Giovani Pires e Jaison Costa do Grupo União Capoeira de Florianópolis, falaram ao Educação e Cidadania desse dia 02.08.08, de grandes diferenças e por isso, abrangente.

Duração: 20 min 38 seg.

A dança e a música como instrumentos de inclusão

admin | Vídeos | Sexta, 1 de Agosto de 2008

Esse foi o tema do Educação e Cidadania do dia 26.07.08. No primeiro bloco do programa, reportagem sobre o programa Chorinho nas Escolas da Secretaria Municial de Educação de Lages. Alunos do ensino fundamental estão encantados com “antigos/novos” estilos de música, diferente das FMs da vida.

Já em Joinville, a dança como instrumento de inclusão social está cada vez mais inserida no contexto do festival. O projeto Dança Comunidade desse ano brindou com oficinas especiais o Dançando nas Escolas da Rede Municipal de Ensino do Município.

O mesmo acontece em Florianópolis. A parceria entre prefeitura municipal através da Fundação Franklin Cascaes, propicia o ensino da música a jovens das comunidades mais carentes da cidade, que dificilmente teriam acesso a esse tipo de aprendizado. A entrevista foi com o incansável maestro Carlos Alberto Vieira.

E ainda a reconstituição da saga de Anita e Giuseppe Garibaldi através do espetáculo A República em Laguna que a prefeitura local e o empresário Evaldo Marques querem transformar num evento anual e grandioso a exemplo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém ou o Festival de Parintins no Amazonas.

Duração: 21 min 36 seg.

Descobertas tardias

admin | Crônicas de Olsen Jr. | Terça, 29 de Julho de 2008

por Olsen Jr.

Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

É domingo. Há uma luminosidade que difere dos outros dias. O inverno deu o ar de sua graça nesse ano. Guerrilheiro de mim mesmo, assim é que me sinto: com todas as causas, ou nenhuma ou só a minha. A sobrevivência já é uma boa questão. Parece que está todo o mundo nessa, mas ninguém diz nada. Percebo pela aflição ao redor.

Pego o prato, os talheres, um guardanapo, vou ao bufet e me sirvo: dois morangos, meia fatia de abacaxi, três pedaços de abacate, quatro folhas de rúcula, dois cubos de polenta frita, um bolinho de arroz e dois nacos de tender assado… Não devia, mas pedi um chá verde “Feel-good” com laranja e gengibre.

Sento no meio da turba para me confundir com ela. Mesa para quatro lugares e estou sozinho. Faço daquele momento um ritual, que mais não seja, é o único contato que tenho com o mundo externo. Há tempos, sem dar por mim, fui transformando-me numa espécie de ermitão moderno. De repente descobri que tudo o que preciso está na minha casa, livros, discos, umas caixas cheias de papel, recortes de jornal, fragmentos de um passado que levo sempre junto comigo para ter a certeza de que já existi em outros tempos e que a vida nem sempre foi assim. Ah! Se foi melhor? Não quero pensar nisso. O importante é o “agora” é este “estar aqui” e a consciência de tudo isso.

Então ta, ficamos assim, penso enquanto vou mastigando ritualisticamente aquela ninharia que como todos os dias, o sujeito passa a vida inteira emprestando a sua força de trabalho para os outros, tentando convencer patifes incompetentes de que um pouco de idealismo ainda vale muito, não tem arreglo (alô revisão, é arreglo e não “arrego”) também, no meu caso, não faço, nunca fiz e nunca farei concessões, não peço favores e não os devo, sou uma espécie de talento desperdiçado, mais ou menos o que disse Ernest Hemingway a respeito de Scott Fitzgerald “Seu talento era tão espontâneo como o desenho que o pó faz nas asas de uma borboleta. Houve uma época em que ele tinha tanta consciência disso quanto a borboleta, não ligando para o fato de que seu talento podia apagar-se ou desaparecer de todo. Mais tarde começou a preocupar-se com as asas feridas e sua estrutura; aprendeu a refletir, mas já não conseguia voar porque o amor ao vôo o abandonara. Restava-lhe apenas a lembrança dos dias em que voar fora um ato natural”.

De tanto recitar para mim aquele texto acabei decorando-o. Não é que esteja ressentido comigo mesmo, ou talvez seja isso e me recuse em acreditar? A verdade é que estamos sozinhos. Tenho a sensação de não fazer parte de nada. E não me falem em esperança. Basta uma olhada ao redor para entender. Falando nisso, se o cretino ali na frente gritando ao celular tivesse consciência, desligava o aparelho, alto daquele jeito e falava diretamente, economizava bateria. Tenho de rir. Se pudesse receber de volta os valores gastos, pediria demissão da humanidade (sei, alguém já deve ter dito isso antes).

Gostaria de ficar mais um pouco bebendo o meu chá, mas os olhares concupiscentes para o lugar que estou ocupando me dissuadem. Saio devagar. Detenho-me diante de uma vitrine, mas evito olhar para a imagem refletida no vidro, penso em Dylan Thomas “alguém está me matando de tédio. Acho que sou eu”. Não escondo o cinismo.

Na rua, meu olhar paira na faixa de pedestres, observo um cachorro atravessando-a com desenvoltura, o animal fez o que a maioria dos mortais não faz, pensando bem, reflito depois que o vi chegar são e salvo do outro lado, pode haver esperança, mas teríamos que começar novamente, de baixo, como aquele cão que, pavlovianamente, pelo menos já aprendeu a atravessar uma rua com segurança!

* Olsen Jr. escreve às sextas-feiras no jornal AN, caderno Anexo, p. B3.

Um oceano de plástico

admin | Cotidiano | Terça, 29 de Julho de 2008

Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração.

As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais.

São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.

No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros.

Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos. Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico.

Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos. Ocean Plastic O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.

A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. ‘Como foi possível fazermos isso?’ - ‘Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo’. Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar.

E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave. Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos.

Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.

Fontes: The Independent, Greenpeace e Mindfully

Piso salarial para os professores, compromisso social e o reflexo na educação

admin | Vídeos | Quinta, 24 de Julho de 2008

O Congresso Nacional promulgou no mes de junho decreto permitindo aos brasileiros portadores de deficiência, direitos garantidos na constituição. Para elas, entre outras superações, o mercado de trabalho ainda representa um grande desafio. Algumas empresas, no entanto, já se anteciparam a lei, como a Sulcatarinense, mineradora de Biguaçu.

E apesar de Santa Catarina ter uma economia pujante e um parque industrial diversificado, ainda temos regiões de grande carência social. Trabalhar a autosustentabilidade dessas populações carentes, garantindo a inclusão social através da educação e qualificação profissional é uma das metas do compromisso social da Brasil Telecon. Dos inúmeros projetos da empresa, o Educação e Cidadania de 19.07.08, destacou “Vamos Falar de Ética” e a “Série Nosso Ambiente.

No programa, destaque também para a entrevista com a senadora Ideli Salvati, líder do Pt e do bloco de apoio ao governo no senado. A senadora comemora e até se emociona ao falar da Lei assinada pelo presidente Lula, criando o piso salarial de R$ 950,00 para os professores.

Duração: 21 min 56 seg.

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A Ave da Vida

admin | Prosa & Poesia | Quinta, 24 de Julho de 2008

Pássaros

de Maria Odete Olsen

dentro de mim mora uma ave
cujo vôo de liberdade
tolhi por um sentimento
qualquer por vaidade
para ter uma ave
dentro de mim

longos anos se passaram
e esta ave dentro de mim
sobrevive em simbiose
com o meu sangue a minha essência
calada prisioneira
sem vôos nem cantos
apenas uma ave
dentro de mim

agora já bem tarde percebo
que uma ave enterrou suas garras
em mim para morrer
e como dói essa ferida
de uma ave encarcerada
cujo vôo de liberdade tolhi
para carregar esse orgulho
de ter uma ave
dentro de mim

hoje lágrimas derramo inutilmente
por esta ave que perdi
suas asas inúteis agora apodrecem
dentro de mim

Este é um poema que foi publicado em 1991, no livro Sem rimas e sem razão.
Este livro publicado pela Editora Paralelo 27, projeto de meu ex-marido e escritor Olsen Jr., surgiu porque acreditava que se não publicasse “aquelas coisas” que gardava em uma gaveta, jamais realizaria meu sonho. Nessa época ainda morava em Blumenau e sonhava em ser uma escritora. O projeto secundário, de sobrevivência, foi começar a trabalhar na extinta TV Coligadas. E assim a televisão foi absorvendo a minha vida. E tudo mudou para sempre.

Beber a bordo

admin | Opinião | Quarta, 23 de Julho de 2008
O escritor Amilcar Neves
O escritor Amilcar Neves
amilcar.neves@ig.com.br

por Amilcar Neves

Para ficarmos na mesma área - da legislação do trânsito -, quando foi implantada a obrigatoriedade de uso do cinto de segurança nos nossos carros, os arautos da democracia e dos direitos individuais botaram a boca no trombone. Muitos deles sequer se importaram com as barbaridades cometidas durante 21 anos pela ditadura militar: prisões arbitrárias, assassinatos, torturas, perseguições políticas, censura em todos os níveis e de todos os tipos, supressão das liberdades individuais, submissão da imprensa, mentiras, mistificações e, não achemos que não, muita, muitíssima corrupção e desvio de dinheiro público para bolsos privados.

Então, restaurada a democracia, quando nós retomamos o direito - inalienável - de escolher aqueles que nos representarão em todos os níveis do Executivo e do Legislativo (sem a tutela de coronéis e generais que se achavam superiores aos demais mortais, mais patriotas do que qualquer cidadão), e abertos os canais para que todos pudéssemos dizer livremente o que pensamos e queremos, inclusive para criticar e denunciar criminalmente quem for pego fora da linha, esses defensores da liberdade clamaram contra o abuso ditatorial de uma lei que pretendia tolher o direito individual de cada qual andar de carro como bem entendesse, obrigando ao uso do famigerado cinto.

E as histórias de “insucesso” se multiplicaram: o cinto machucava, contabilizava-se o número de pessoas com costelas quebradas e daquelas que morreram estranguladas; de carros que caíram num lago ou num rio e as pessoas pereceram afogadas porque não conseguiram se desvencilhar em tempo hábil daquela fivela que travava nas piores horas; de gente que sucumbiu esmagada entre as ferragens do acidente porque, se não estivesse firmemente presa ao assento do veículo, teria sido jogada para fora, pela porta que se abriria (que se abriu) ou pelo vidro que saltou longe antes do impacto final.

Esquecia-se a contabilidade das vidas salvas pelo cinto. Hoje, por ocioso, ninguém mais discute a importância desse indispensável acessório de segurança. E todos o usamos.

Agora, com a drástica redução nas margens de tolerância com o álcool ao volante (e só ao volante, quem for passageiro pode viajar feito gambá), a história se repete. Não parece haver muita imaginação criadora para abordar o assunto de forma diferenciada. Criatividade mesmo tiveram os donos de um restaurante de Curitiba (sempre Curitiba, inovando nas idéias e nas práticas): ao invés de ficarem lamentando a queda no movimento, de ficarem chorando as perdas (financeiras, não de vidas humanas) nos noticiários de televisão, tomaram a iniciativa de colocar caminhonetes à disposição dos clientes, para buscá-los em casa e devolvê-los sãos e salvos ao final da noitada, e de manter atentos motoristas para levar a um feliz destino os carros dos clientes que chegarem motorizados. Estão faturando em cima da novidade.

Como antes, também agora correm (e, presentemente, nas velocidades da Internet) histórias de insucesso que nunca serão comprovadas, por fantasiosas: o incauto motorista, apanhado pelo bafômetro, que foi severamente punido porque havia comido dois ou três bombons de licor, ou que, momentos antes do teste, usou anti-séptico bucal à base de álcool, ou, doente da tosse, tomou um xarope para acalmar os brônquios excitados, ou, ainda, valeu-se de cinco ou dez esguichos de própolis para amenizar a dor de garganta que o assediava.

Como antes, também agora fecham-se os olhos para as estatísticas que comprovam, nestes poucos dias de vigência da lei, a brutal redução de mortos e feridos no nosso trânsito.

Goethe e Barrabás, um romance sobre as más escolhas que fazemos na vida

admin | Entrevistas | Domingo, 20 de Julho de 2008
Deonísio da Silva
O Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Estácio de Sá
teresa97@terra.com.br

O escritor catarinense Deonísio da Silva, prêmio Casa de Las Américas com o livro “Avante Soldados: para Trás”, que lançou o romance “Goethe e Barrabás”, durante a 5ª Feira do Livro de Joinville, repetiu o lançamento do romance em Florianópolis, na última sexta-feira, no Café da Livraria Livros & Livros. Para o escritor que estudou em seminário, há missas tão modernas hoje, nas quais só falta a Flávia Alessandra (Alzira da novela das oito) esfregar-se no círio pascal ou em alguma coluna da nave da igreja. Especialmente para o blog, o escritor concedeu esta entrevista por e-mail.

Maria Odete - Deonísio, porque “Goethe e Barrabás”?

Deonísio da Silva - O tema de meu romance são as más escolhas que fazemos na vida. A multidão, em plesbiscito informal, escolheu Barrabás para a liberdade e Cristo para a morte na cruz. E as trevas predominaram por um bom tempo. Goethe, ao morrer, pediu mais luz. Este ano completei 59 anos, a mesma idade de Goethe ao escrever Fausto, cujo tema é a venda da alma ao Diabo. Este ano celebramos 200 anos do Fausto II, pois Goethe escreveu dois Faustos, sua obra mais famosa.

Maria Odete - Segundo o colunista Raul Sartori, o empresário catarinense José de Souza Patrício comprou vários exemplares para presentear ex-colegas dos tempos de seminário, em São Ludgero e em Tubarão. Você acredita que no Brasil de hoje, a colaboração da iniciativa privada, instituições governametais, etc. são imprescindíveis para a sobrevivência do escritor?

Deonísio da Silva - O que o empresário José de Souza Patrício fez, muitos empresários poderiam fazer, pois livro é um bom presente. Outro dia uma empresa de segurança de São Carlos, onde morei 23 anos, comprou 300 (trezentos) exs de meu livro para dar de presente a seus clientes. Iniciativas como esta são muito importantes para incentivar os leitores, produzir leitores, agradar aos leitores. É bom quando alguém se interessa e faz alguma coisa pelos leitores.

Maria Odete - Na sua opinião, a pouca leitura de livros dos jovens de hoje se deve ao fato de pais e professores também lerem pouco. Ao contrário do que fazia dona Edite Zanatta, a professora que o alfabetizou no longínquo 1956, em Jacinto Machado?

Deonísio da Silva - Minha professora Edith Zanatta me ajudou a dar os primeiros passos, no longínquo 1956, me alfabetizando. Nem ela e nem eu sabíamos que eu seria escritor, mas talvez ambos sentíssemos essa possibilidade de que ali estava um menino que tinha extremado gosto pela leitura e pelo ato de escrever. Fui um menino pobre que acreditava na minha professora, nos livros que lia, em pessoas generosas, como o padre Herval Fontanella, que me levou para morar na Casa Paroquial de Jacinto Machado para me preparar para ir ao seminário. E para ser ordenado, seriam 18 anos de estudo. Hoje, há até professores de aeróbica que deram alguns pulinhos, fizeram dois meses de cursinho e foram ordenados sacerdotes. Dessa mudança para pior surgiram vários problemas. Há missas tão modernas hoje nas quais só falta a Flávia Alessandra (Alzira, da novela das oito) esfregar-se no círio pascal ou em alguma coluna da nave da igreja. Igreja é lugar de recolhimento, sempre foi. Há dois mil anos é assim que a Igreja segue. Como diz Carlos Heitor Cony, católico não é para quem quer, é para quem pode, para quem aceita as condições, que começam no batismo. Tenho grande respeito pela Igreja, sou de família católica, e esses desvios me aborrecem bastante.(Entrevista concedida pelo escritor no dia 14 de abril de 2008).

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